Eu tenho uma curiosidade bem alta no ramo da ciência, gosto de saber como são feitas as pesquisas, como se determinam os riscos e benefícios dos medicamentos, por que determinadas práticas são altamente recomendadas para uma melhor qualidade de vida e menor probabilidade de adquirir doenças crônicas etc., etc., etc. Já falei sobre isso aqui, inclusive.
Dessa forma, eu uso as minhas redes sociais, e mais especificamente o Instagram, para obter conhecimento sobre esse tema, e, portanto, eu sigo muita gente que eu considero extremamente competente em divulgação científica, desde médicos, farmacêuticos até gente bem entranhada no mundo da pesquisa acadêmica. Um pessoal que entende muito de metodologia, como interpretar artigos, gráficos, tabelas, como determinar vieses nos estudos, e por aí vai. Ou seja, um povo que lê estudos, os interpreta de forma a analisar todo o contexto e obtém daí as melhores conclusões sobre práticas a serem recomendadas na área da saúde, principalmente. Um povo que sabe o que é ser imparcial e detectar com muita facilidade quando algo atrapalha essa imparcialidade.
Pois bem, assim eu pensei que esse pessoal agiria da mesma forma durante as eleições: avaliaria estudos, gráficos, tabelas de temas como PIB, violência, segurança, fome, miséria, impostos e tudo que engloba uma decisão de voto. Fiquei muito feliz de estar em uma bolha mais crítica e, na minha cabeça, totalmente distante de ideologias.
E não é que eu estava completamente enganada? Salvo raríssimas exceções (posso contar uns 5 indivíduos de, sei lá, uns 150 que eu sigo da área) que atravessaram esse período de forma ponderada, observando, criticando quando necessário, elogiando se pertinente, e mantendo o ceticismo acima de tudo. O resto caiu na barca da ideologia, do amor ao ídolo, do ódio aos contrários, do eu contra eles, do bem contra o mal, inclusive caindo em Fake News das mais bisonhas.
Eu juro que esse foi o meu maior choque nessas eleições. Porque você já conhece os vieses das pessoas “comuns”, mas supostamente a comunidade científica seria um pouco mais analítica e muito menos apaixonada (olá, polilaminina).
Era esse o desabafo. Mais uma decepção pra conta. Seguimos.


